Sim. Mais interessante é perguntar por que razão esta resposta surpreende as pessoas.
Na teologia cristã, Satanás é geralmente o adversário, pelo que «satânico» se torna facilmente uma forma abreviada de dizer cruel, corrupto ou malicioso. Um satanista teísta parte de uma premissa religiosa diferente. Essa diferença teológica não elimina o problema moral comum que cada pessoa continua a enfrentar: o que faz com a liberdade, a segurança, a confiança e a vulnerabilidade dos outros?
Não definimos a bondade como obediência
A Igreja dá grande importância à responsabilidade pessoal. Isso significa que uma pessoa não pode desculpar a sua conduta apenas por dizer que um dirigente a ordenou, que um texto parecia permiti-la ou que uma experiência espiritual lhe pareceu importante.
A autonomia sem responsabilidade é apenas outra forma de procurar permissão. Se faz uma escolha, assume também as suas consequências.
O consentimento é um limite, não um inconveniente
A intensidade religiosa não dá o direito de pressionar outra pessoa. A adoração, os rituais, as relações, a divulgação de informações privadas e a participação na vida comunitária exigem uma escolha efetiva.
É por isso que as regras públicas da Igreja rejeitam a coação, o assédio, os abusos, as ameaças e as atividades ilegais. Um vocabulário espiritual não transforma essas coisas em virtudes.
A honra raramente é vistosa
Na prática, o caráter moral revela-se muitas vezes em pequenos atos: guardar uma confidência, admitir um erro, não humilhar alguém por mudar de opinião, pagar o que se deve, respeitar um limite, corrigir uma afirmação falsa que se repetiu ou deixar uma pessoa em paz quando ela o pediu.
Nada disto é exclusivamente satânico. É simplesmente a forma que a responsabilidade assume quando sai do papel.
E quanto ao «bem» e ao «mal»?
As diferentes religiões atribuem a estas palavras significados teológicos diferentes. Não temos de aceitar uma explicação cristã do bem e do mal cósmicos para reconhecer o sofrimento, a exploração, a desonestidade, a coragem, a lealdade ou o cuidado pelos outros.
Também não afirmamos que todos os satanistas partilhem um único sistema ético. O campo mais amplo do satanismo é descentralizado. Este artigo descreve as expectativas da Igreja, não um código moral universal para todos os que usam a palavra satanista.
O critério é a conduta
Se alguém quer saber se um satanista é uma boa pessoa, a resposta mais justa é a mesma que daríamos para qualquer outra pessoa: observe o que faz quando tem poder, quando não há público, quando está zangado e quando respeitar a liberdade de outra pessoa lhe custa alguma coisa.
Um título religioso não pode resolver essa questão de antemão.