O mundo causal

A realidade causal é a realidade comum. Os corpos, os relógios, o tempo atmosférico, o trabalho, o dinheiro, a doença, a distância, a matéria física e as consequências pertencem-lhe. É o mundo em que se pode chegar atrasado, ter fome, estar errado, sofrer uma lesão, ser responsável ou ter uma conta para pagar.

A prática espiritual não anula nada disto. É no mundo causal que uma vida humana toma forma e que se vivem as consequências do que fazemos.

O mundo acausal

Acausal é o nome que damos a outra ordem de existência. Não é compreendida através do tempo linear e das relações habituais de causa e efeito físicos da mesma forma que o mundo causal. Satanás, os Deuses Sombrios e outras Entidades espirituais pertencem a esta parte da nossa teologia.

Ao princípio, a palavra é apenas uma ideia num livro. Ganha significado através do uso. A adoração, o ritual, o sonho, o lugar, a atenção e o trabalho repetido dão ao praticante algo a que ligar a palavra.

O nexion

Um nexion é um ponto de contacto entre a realidade causal e a acausal. Uma pessoa viva é o primeiro exemplo. O corpo é causal e perecível, enquanto a consciência pode voltar-se deliberadamente para o acausal através da adoração, da memória, da imaginação, da vontade e do ritual.

Os lugares também podem acumular essa história. Volte todas as semanas à mesma divisão para adorar. Acenda a mesma luz, pronuncie os mesmos nomes, guarde silêncio no mesmo lugar e escreva ali depois. Passado um ano, a divisão já não lhe parecerá aquela em que começou. As tradições antigas dizem que o véu se torna mais fino. A expressão perdura porque diz isso com clareza.

As Entidades e os Deuses Sombrios

Entidade e Entidade Superior são termos da Igreja para inteligências acausais com consciência e vontade próprias. Usamos muitas vezes estas palavras em vez de demónio, porque demónio traz consigo pressupostos cristãos que não são os nossos.

Os Deuses Sombrios pertencem a uma corrente específica desta metafísica. Atazoth, Shugara, Noctulius, Nythra, Kthunae, Davcina, Baphomet e outros nomes aparecem no cânone mais profundo. São abordados como seres.

Um Neófito não precisa de se precipitar para os nomes mais estranhos dos livros. Aprenda primeiro os fundamentos. Os nomes tornam-se mais compreensíveis quando a adoração, a atenção, o ritual e os registos já são partes familiares da prática.

Wyrd, physis, aletheia e pathei-mathos

Wyrd é o padrão que uma vida forma ao longo do tempo através da natureza, da escolha, das circunstâncias e das consequências. Physis é a natureza interior de uma coisa. Aletheia é a verdade que sai da ocultação. Pathei-mathos é a mudança de compreensão que nasce daquilo que foi realmente vivido.

Estas palavras permaneceram nos textos da Igreja porque continuam a ser úteis na prática. Quando uma palavra deixa de ajudar a ver algo com mais clareza, repeti-la mais alto não a salva.

As palavras que usamos: uma referência rápida

De onde veio esta linguagem

A Alta Igreja Satânica é independente. Não somos um nexion da Order of Nine Angles e não temos uma relação organizacional com a O9A. Ao mesmo tempo, parte da nossa linguagem tem ali, e na obra de David Myatt, uma história clara. Não faria sentido escondê-la.

A distinção entre causal e acausal, o nexion, partes do sistema septenário, a Árvore de Wyrd, o material sobre os Deuses Sombrios e vários métodos de canto e vibração chegaram através dessa corrente sinistra mais antiga. Mantivemos o que se tornou útil na nossa religião e continuámos a trabalhar com esse material.

Algum material religioso da O9A é bom, e não temos dificuldade em dizê-lo. O que rejeitamos são a política neonazi, a ideologia racial, a criminalidade e a fixação na violência que se associaram a partes da corrente. Esse extremismo não aprofundou a religião. Transformou uma corrente esotérica séria num espetáculo de palhaços.

Podemos ler material de Myatt ou da O9A pela metafísica sem tratar todo o movimento como escritura, autoridade ou modelo para esta Igreja. As tradições vão buscar ideias umas às outras. O que importa é aquilo em que uma ideia emprestada se torna depois de mudar de mãos.

Porque continuamos a usar a palavra acausal

Porque continua a ser útil. Dá-nos uma forma clara de falar da existência causal comum, da ordem de existência para a qual se dirige a adoração e do nexion onde ambas se encontram.

Só vale a pena manter a palavra se a prática a tornar mais precisa. Se continuar a ser apenas uma palavra exótica, rodeá-la de outras palavras exóticas não ajuda.

Presencing e consequência

Presencing é o trabalho de tornar uma corrente acausal presente na vida causal. Um lugar escolhido, um nome divino, uma imagem, som ou silêncio podem dar uma forma definida à atenção. A repetição importa: o mesmo símbolo adquire uma história nas mãos de quem trabalha com ele.

O trabalho tem uma entrada e um fim. O praticante prepara-se, dirige-se à presença nomeada, regista o que aconteceu e deixa o espaço ritual. O que se segue continua a pertencer ao mundo causal. Uma obrigação não cumprida não se torna inofensiva por o rito anterior ter parecido profundo.

Metafísica e ciência

O acausal é uma afirmação religiosa e metafísica na teologia da Igreja. A física moderna não prova a existência dos Deuses Sombrios nem transforma uma experiência privada em prova científica. Ir buscar a linguagem da teoria quântica não resolve uma questão teológica.

As fontes históricas, os argumentos filosóficos e a experiência de um praticante podem contribuir para o estudo, mas cumprem funções diferentes. Um texto antigo pode demonstrar o que uma tradição registou. Não pode, por si só, demonstrar o que aconteceu ontem à noite no quarto de um membro.